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Amor Platônico: o que é e como lidar com este sentimento

Aprenda a lidar com esse sentimento

Ao contrário do que muitos pensam, o amor não é um sentimento exclusivo da adolescência. E está associado a uma busca pelo que não se encontra em si mesmo, sinalizando algumas carências

 

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Foto: Getty Images

Amar e ser amado é um dos maiores prazeres e anseios da vida. Estar ao lado de quem se ama, sentir saudade logo na despedida, contar os minutos para o próximo encontro e fazer planos para o futuro faz parte da realidade de muitos casais apaixonados.

Infelizmente, não é assim com todo mundo e, o amor, acaba sendo uma via de mão única. E este sentimento tão intenso, quando não correspondido, causa muito sofrimento e pode minar a autoestima de uma pessoa.

Embora não seja o único, o Amor Platônico é um tipo não correspondido, e está associado à ideia de inatingível, distante, impossível…

Muitos já ouviram falar sobre este sentimento, porém, poucos sabem o seu significado de fato e, grande parte, ainda acredita que ele seja um sentimento exclusivo da adolescência.

Ceci Akamatsu, formada em biologia e em diversas modalidades de terapias energéticas e holísticas, terapeuta acquântica, especialista do Personare e autora do livro “Para que o Amor Aconteça”, comenta que quando o assunto é amor platônico, geralmente a pessoa se remete à adolescência. Época das paixões pelos ídolos ou pela menina ou menino mais popular, por uma pessoa mais velha, pelos professores etc. Porém, isso é um mito, uma vez que tal sentimento pode ocorrer em qualquer fase da vida.

“Tanto homens quanto mulheres estão sujeitos ao amor platônico, e em todas as idades. Pessoas mais tímidas e retraídas, menos proativas na vida afetiva demonstram uma tendência maior ao amor platônico”, acrescenta.

Mas, de forma geral, o sentimento está mais associado ao sexo feminino. Porque está incutido nas mulheres, de forma inconsciente, a crença de que é o homem quem deve buscar a parceira. Cabendo à mulher, muitas vezes, ficar à espera de ser correspondida. Já, o indivíduo do sexo masculino, na maioria dos casos, vai buscar de forma ativa a validação de seu amor. Com isso, a mulher acaba desenvolvendo, nesta espera, o amor platônico”, explica Ceci.

Mas afinal, qual a origem do termo Amor Platônico?

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Ceci explica que o termo “amor platônico” tem origem na obra “O Banquete”, de Platão, na qual o autor apresenta um diálogo filosófico em que “Diversas faces do amor são abordadas, ou seja, há uma discussão acerca das definições do amor. Porém, foi o filósofo Sócrates quem definiu o amor como a busca pelo belo e bom. Essa seria uma busca pelo o que não se tem, por aquilo que falta”, diz a especialista.

“Uma vez que se conquista o amor, não se deseja mais, não se ama mais. E passa-se a se desejar o que vai vir a ser, ou seja, o amor que ainda não se tem no momento, o que falta. Com isso surge a ideia da busca pelo amor que está sempre além de nosso alcance”, acrescenta Ceci.

Portanto, a ideia de amor platônico está associada à imagem de um amor inalcançável, impossível. A especialista argumenta que “Essa impossibilidade de concretização pode se dar por diversos fatores, reais ou imaginários, como: diferenças de idade, sociais, culturais, por preconceitos, ou simplesmente por uma barreira interna de insegurança e medo de rejeição”.

Por que o amor platônico acontece?

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“É um amor idealizado, vivido na ilusão. Uma das principais características do amor platônico é a admiração em relação à pessoa amada. Colocamos o indivíduo em um pedestal a fim de idolatrá-lo, sonhando e devaneando sobre como seria a concretização desse amor.”, explica Ceci.

Ou seja, admira-se ou procura-se no outro aquilo que a pessoa gostaria de ter nela própria. “Admiramos aquilo que consideramos estar faltando em nós. Assim, acabamos por procurar no outro aquilo que não conseguimos fazer emergir em nós mesmos, como: beleza, alegria, inteligência, riqueza etc.”, destaca a especialista.

Quais pessoas são mais propensas ao amor platônico?

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Foto: Getty Images

Como falamos acima, as mulheres são mais propensas a esse tipo de sentimento.

Nesse sentido, algumas mulheres podem ficar à espera de serem correspondidas, criando, nesta espera, um amor platônico. Porém, essa está longe de ser uma regra, já que homens também podem viver amores platônicos e qualquer pessoa, em qualquer idade, está sujeita a isso.

Ceci diz que “Sempre encontraremos a raiz dos medos e inseguranças na falta de autoestima e de segurança no nosso poder pessoal”. E cita algumas características que podem potencializar o desenvolvimento de amores platônicos:

  • Timidez;
  • Medo da rejeição;
  • Antigos traumas, entre outros.

O poder pessoal está intimamente ligado à autoestima, pois é representado pela nossa força e perseverança, pela nossa capacidade de nos manter firmes em nossa verdade, mesmo que isso vá contra as circunstâncias e o mundo lá fora”, diz.

Ela explica que o amor próprio proporciona o senso de autovalorização, a capacidade de enxergar e assumir a si mesmo, tanto aos aspectos positivos quanto aos negativos. “Geralmente, relacionamos a autoestima ao se achar bonito, mas é muito mais do que isso. A aceitação dos próprios defeitos e pontos fracos é fundamental para uma autoestima sadia.

O amor platônico pode ser prejudicial?

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Mas, afinal, existe algo errado em desejar um “amor impossível”?

Se a pessoa deixa de viver a vida e as relações afetivas para se alimentar de amores platônicos, isso pode ser um sinal de que ela está fugindo dos desafios do amor na vida real. Nesse caso, Ceci afirma que o amor platônico pode representar um problema sim. “Isso demostra uma resistência em se desfazer do conceito do amor perfeito e ideal, e em viver o amor real, que é cheio de desafios”, diz.

De acordo com a especialista, no mundo virtual, é possível observar muitos casos de amores platônicos, que, apesar de correspondidos e parecerem ser possíveis, são vivenciados de maneira ilusória. “Criamos ilusões que ficam muito próximas da realidade, por estarem no limiar entre o real e ilusão. São ilusões disfarçadas de realidade, que alimentam um falso preenchimento de amor. Ou seja, são também amores vividos na ilusão e que guardam seu ‘quê’ de platonismo”, acrescenta.

Ceci destaca que cabe à pessoa avaliar se é um caso pontual de amor platônico ou se ela vive a maior parte do tempo nos amores platônicos. “No segundo caso, pode sim ser de grande ajuda buscar auxílio terapêutico, a fim de fortalecer o poder pessoal e a autoestima, e assim, começar a viver de maneira mais real e menos idealizada”, explica.

Exemplos reais de amores platônicos

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Beatriz Silva Mantoni, 28 anos, publicitária, conta que por muitos anos viveu amores platônicos. “Na época, é claro, eu não me dava conta disso, embora algumas amigas tenham tentado me alertar. Eu só me interessava por pessoas claramente ‘inalcançáveis’ e fugia totalmente de relacionamentos ‘reais’. Se ficava sabendo que determinado garoto se interessava por mim, dizia para mim mesma que não podia me envolver com ele porque gostava mesmo do outro que era ‘inalcançável’”, comenta.

Beatriz diz que, hoje, enxerga com muita clareza os motivos que a levavam a desenvolver esses amores platônicos. “Eu era extremamente insegura, principalmente com minha aparência. Não acreditava que algum garoto pudesse se interessar por mim por muito tempo… Então era bem mais fácil inventar amores impossíveis, para não ter que lidar diretamente com uma possível rejeição”, explica.

“Demorei para entender tudo isso, mas hoje vejo tudo como experiência… Vivo um relacionamento real, me sinto muito segura e não espero nunca mais me alimentar novamente com um amor platônico”, acrescenta Beatriz.

Kelli Sanches, 30 anos, professora, relata que também viveu alguns amores platônicos. “Quando tinha meus 14, 15 anos, só me interessava por homens bem mais velhos, que nem sabiam que eu existia. Depois de alguns anos comecei a me relacionar (à distância) com garotos pela internet, que nunca cheguei a conhecer… Demorei para conhecer alguém por quem eu me interessasse de verdade e com quem pudesse viver um namoro também de verdade”, conta.

Identificando o amor platônico

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“Você já se apaixonou mais de uma vez por pessoas inalcançáveis?”; “Você acredita que seja muito difícil se relacionar com outra pessoa?”; “A admiração que você tem pela pessoa por quem está apaixonada faz você ignorar outras características não tão positivas assim dela?”. Se identificou-se com uma dessas perguntas, está na hora de olhar para dentro de si mesmo e responder a algumas questões que podem ajudá-lo a perceber os motivos que o atraem por amores platônicos:

“Se estivermos sempre nos observando, buscando fortalecer nossa autoestima e poder pessoal, buscando dentro de nós aquilo que vai nos preencher e nos satisfazer, isso nos ajuda a não procurar tudo isso no mundo externo e no ser amado. Com isso, diminuímos as chances de desenvolver um amor platônico”, finaliza a especialista Ceci.

Porque amor bom é o amor compartilhado. O relacionamento que passa por bons e também por maus momentos, mas que, acima de tudo, se mantém no plano real.

Fonte: Dica de mulher







 

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